Tecnologias de precisão transformam a atividade no bloco operatório

FOTO SASINT/ PIXABAY
João Guilherme Oliveira
A eficácia dos procedimentos cirúrgicos depende da precisão e da disponibilidade de informação em tempo real. Questões como a profundidade da anestesia, a delimitação de tecidos tumorais ou a navegação em estruturas anatómicas de difícil acesso exigem respostas imediatas por parte das equipas clínicas no bloco operatório. Vários projetos de investigação e desenvolvimentos industriais estão a focar-se na introdução de novos sensores, sistemas de imagiologia avançada e plataformas robóticas para dar resposta a estas necessidades operacionais.
Monitorização contínua de anestésicos no ar expirado
No âmbito do controlo anestésico, investigadores do Instituto Fraunhofer de Física do Edifício (IBP) e da Universidade LMU de Munique desenvolveram um detetor fotoacústico de propofol. Diferenciando-se da eletroencefalografia tradicional, este sistema monitoriza a concentração do anestésico diretamente no ar expirado pelo doente.
A tecnologia tem como finalidade fornecer dados adicionais para o ajuste individualizado da dosagem de anestesia. Um primeiro protótipo foi testado em ensaio clínico na LMU de Munique, encontrando-se atualmente em fase de otimização através de três novos protótipos para validação do método.
Imagiologia por infravermelhos na identificação de tecido tumoral
No projeto de investigação STAIN, liderado pela Universidade de Ciências Aplicadas de Anhalt e parceiros associados, foi desenvolvida uma câmara baseada em radiação infravermelha de onda curta. O equipamento diferencia o tecido tumoral de tecidos saudáveis através das respetivas propriedades espetrais, sem necessidade de administração prévia de agentes de contraste.
O objetivo deste sistema de imagiologia intraoperatória é auxiliar as equipas cirúrgicas na localização e delimitação de margens tumorais, preservando estruturas anatómicas sensíveis, como feixes nervosos.
Plataforma robótica para intervenções fetais complexas
Para procedimentos de elevada complexidade anatómica, como o tratamento da síndrome de transfusão feto-fetal, uma equipa de investigadores do ETH Zurique e parceiros clínicos desenvolveu uma plataforma robótica com um fetoscópio de controlo magnético.
O sistema processa as imagens endoscópicas recolhidas durante a intervenção para gerar uma vista panorâmica da placenta. A combinação entre a navegação magnética dos instrumentos e a reconstrução visual panorâmica visa facilitar o acesso a vasos sanguíneos de difícil alcance e aumentar o controlo durante o procedimento.
Integração industrial e certificação regulamentar
Ao nível da aplicação comercial, a plataforma robótica da Vinci 5 obteve a marcação CE em Europa para procedimentos específicos de cirurgia cardíaca em adultos. As indicações aprovadas incluem procedimentos de cardiotomia assistidos por toracoscopia e cirurgias de bypass coronário minimamente invasivas.
A implementação de sistemas robóticos em ambiente hospitalar envolve componentes adicionais ao equipamento em si, designadamente a formação das equipas clínicas, a adequação das infraestruturas técnicas do bloco operatório e a integração dos fluxos digitais de dados, desde o planeamento pré-operatório à análise pós-operatória.
Requisitos para a adoção em meio hospitalar
Os artigos e análises do setor apontam que a transição destas tecnologias do laboratório para o contexto clínico depende da sua capacidade de integração nos fluxos de trabalho existentes sem introduzir complexidade acrescida para os profissionais de saúde. O valor prático destes sistemas é avaliado pela sua capacidade de suportar a tomada de decisão médica e otimizar os processos de intervenção no bloco operatório.
Outros artigos que lhe podem interessar