Monitores de glicose de última geração chegam aos hospitais europeus

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João Guilherme Oliveira
O setor da tecnologia médica aplicada à saúde está a dar um salto qualitativo no tratamento da diabetes na Europa. Começou a ser distribuída no mercado da União Europeia uma nova geração de sensores de Monitorização Contínua de Glicose (CGM, na sigla em inglês), desenvolvidos especificamente para operar em ecossistemas abertos e integrados com bombas de insulina inteligentes.
Esta inovação tecnológica, que recentemente obteve a conformidade regulamentar europeia através da marcação CE, visa responder a um dos maiores desafios da medicina moderna: a personalização do tratamento de doenças crónicas e a melhoria da qualidade de vida dos doentes em terapêutica intensiva de insulina.
A revolução da autonomia: 15 dias de monitorização contínua
A grande disrupção desta nova vaga de dispositivos de rede reside na extensão da vida útil e na flexibilidade que oferecem ao utilizador. Até recentemente, o padrão de mercado para sensores internos fixava-se nos sete dias de utilização autónoma. A introdução de sensores com capacidade de funcionamento contínuo até 15 dias duplica o tempo de monitorização sem necessidade de substituição do filamento subcutâneo.
Esta evolução não só reduz o desperdício de material médico e o número de picadas a que o paciente é submetido, como garante uma recolha de dados biológicos muito mais robusta e linear. Para os profissionais da saúde, isto traduz-se em relatórios clínicos mais precisos e numa capacidade preditiva superior contra episódios graves de hipoglicemia e hiperglicemia.
Estima-se que a compatibilidade destes novos sensores com os sistemas avançados de bomba de infusão venha a beneficiar mais de 4,5 milhões de europeus que já utilizavam tecnologia de monitorização, mas que se encontram limitados por barreiras de interoperabilidade entre marcas.
Interoperabilidade: o futuro da saúde digital
Historicamente, o setor da tecnologia hospitalar e de saúde tendeu a funcionar em “sistemas fechados”, onde o sensor de uma marca não comunicava com a bomba de insulina de outra. A atual tendência de mercado, consolidada por mais este recente lançamento europeu, caminha em direção à interoperabilidade total.
Especialistas do setor apontam que a verdadeira inovação já não passa apenas por criar o melhor dispositivo isolado, mas sim por permitir que diferentes tecnologias médicas comuniquem entre si em tempo real. Ao cruzar dados de sensores de longa duração com algoritmos de inteligência artificial presentes na bomba de insulina, cria-se um verdadeiro “pâncreas artificial” mais eficiente.
Mercado europeu lidera a adoção tecnológica
Os dados financeiros e de adesão clínica mais recentes demonstram que a Europa está na vanguarda da adoção destas tecnologias de saúde digital. Os mercados internacionais fora dos EUA já representam cerca de 70% das vendas líquidas neste segmento de dispositivos médicos de precisão, registando taxas de crescimento homólogas superiores a 20%.
Com o fim das restrições de cadeia de abastecimento que afetaram o setor da saúde nos últimos anos, os hospitais e sistema de saúde europeus preparam-se para uma integração em larga escala destes dipositivos ao longo dos próximos meses. A estratégia atual do setor clínico assenta na liberdade de escolha: permitir que paciente e o médico assistente escolham o sensor que melhor se adapta ao estilo de vida e ao regime de infusão do doente, sem perda de eficácia terapêutica.
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