Pilotos sem destino: a inovação que nunca aterra
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O que distingue um projeto financiado de uma transformação sustentável
Às nove da manhã, no ecrã, tudo parece concluído: tarefas encerradas, orçamento executado e relatório final entregue. Numa pasta partilhada repousam os cost statements, as timesheets com as horas imputadas, os indicadores de execução e algumas fotografias de grupo tiradas nas deslocações do consórcio.
Dois ou três anos depois, a plataforma continua ativa num servidor e a consumir recursos. Chega a fatura da licença e ninguém sabe a quem cabe decidir: renovar, integrar ou desligar. O projeto terminou com sucesso. A transformação nem sequer chegou a começar.
Este cenário repete-se demasiadas vezes na inovação em saúde. As organizações aprenderam facilmente a captar financiamento para testar soluções. O que muitas ainda não aprenderam foi a ficar com alguma coisa quando os fundos terminam. Sem pessoas responsáveis, integração e orçamento recorrente, a prova de conceito a que chamamos de piloto morre sem o apoio que o tornou possível. O verdadeiro desafio não é testar mais uma solução. É transformar inovação temporária em capacidade institucional.
Financiamento não é valor
Os programas nacionais e europeus abriram oportunidades reais. O defeito começa quando se confunde uma candidatura aprovada com entrega de valor automático. Um projeto pode cumprir tarefas, executar o orçamento e receber uma excelente avaliação sem mudar de forma sustentada um único processo organizacional. Pois é! O financiamento compra tempo e ativos. Não compra transformação.
Portanto, não há projetos gratuitos. Mesmo financiados a 100%, consomem horas de
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