São João realiza cirurgia nanoscópica do joelho

O Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ) começou a realizar cirurgias nanoscópicas do joelho, uma técnica recente que permitirá reduzir listas de espera e aumentar a qualidade de vida dos doentes.

Este procedimento passa assim a ser realizado através da incisão de uma “agulha” de apenas dois milímetros de diâmetro.

“Trata-se de reduzir os instrumentos habitualmente utilizados para um terço, ou seja, em vez de uma incisão de um centímetro, agora perfuramos apenas a pele como se estivéssemos a fazer uma banal injeção”, descreveu o diretor do serviço de ortopedia e traumatologia do CHUSJ.

As primeiras quatro cirurgias com recurso a equipamentos e dispositivos de dimensão reduzida (nano), em comparação com as técnicas endoscópicas já utilizadas, realizaram-se a 20 de março.

Em declarações à agência Lusa, o diretor do serviço há seis anos e o primeiro a realizar esta técnica em Portugal, António Nogueira de Sousa, destacou o impacto do procedimento na qualidade de vida dos doentes, apontando que “os quatro estão já a caminhar sem apoio e sem qualquer dor”.

“Isto é uma evolução do tratamento artroscópico. A cirurgia artroscópica já é feita por pequenas incisões, mas utilizam-se aparelhos que têm uma espessura à volta de seis milímetros. Isto é passar para um terço essa espessura”, destacou o clínico.

António Nogueira de Sousa acrescentou que esta técnica tem particular interesse “na abordagem das pequenas articulações e dos procedimentos em idade pediátrica”, bem como “em alternativa à ressonância magnética, no seguimento dos resultados de uma técnica artroscópica, e na resolução de lesões menos acessíveis pela via clássica”.

Esta técnica apresenta vantagens também em relação à anestesia: “o bloqueio nervoso periférico com sedação endovenosa permite alta quase de imediato”, lê-se em comunicado divulgado pelo CHUSJ.

Ao impacto positivo na qualidade de vida dos doentes, o médico juntou outras vantagens da implementação deste procedimento que permite aceder a uma articulação através de pequenas incisões na pele, lembrando que para os hospitais “os ganhos financeiros podem ser muitos”.

“É uma técnica que está a dar os primeiros passos nos atos cirúrgicos a nível mundial que tem um potencial muito grande por ser ainda menos invasiva e por poder, no futuro, vir a ser feita fora do bloco operatório. Terá um impacto em termos de ganhos para os hospitais. Existe uma expectativa de vir a contribuir para uma diminuição de custos”, descreveu o médico.

O facto de o sistema ser descartável também permite a realização de mais intervenções e ganhos na diminuição de listas de espera.

O CHUSJ estima realizar cerca de 40 cirurgias deste tipo até ao final do ano.

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