ULS Médio Tejo testa técnica pioneira para a dor lombar

D.R.

João Guilherme Oliveira

A Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo figura entre os primeiros centros hospitalares da Europa a testar uma tecnologia de ponta no combate à dor lombar crónica causada por artrose nas articulações facetárias. Os primeiros procedimentos decorreram na Unidade Hospitalar de Tomar e apoiaram-se numa técnica baseada em ultrassons focalizados de alta intensidade (HIFU), dispensando picadas de agulhas ou incisões.

A intervenção foi conduzida pela Unidade da Dor Crónica do Serviço de Anestesiologia no Bloco Operatório da Unidade de Cirurgia de Ambulatório. A utilização do equipamento, denominado Neurolyser XR, ocorreu no âmbito de um programa europeu de demonstração clínica, que disponibilizou temporariamente esta tecnologia a um lote restrito de unidades de saúde.

Como funciona a intervenção?

Ao contrário dos métodos terapêuticos tradicionais, que recorrem à introdução de agulhas para aplicação de radiofrequência ou medicação, esta nova solução atua de forma totalmente não invasiva. O sistema combina a precisão da fluoroscopia (imagem por raios X em tempo real) com a emissão de energia ultrassónica de alta intensidade.

Essa energia incide exatamente sobre os nervos responsáveis pela condução dos estímulos dolorosos, provocando uma lesão térmica altamente controlada que interrompe o sinal de dor enviado ao cérebro.

A ausência de perfuração na pele traduz-se em benefícios diretos para o doente:

  • Redução drástica do risco de complicações
  • Diminuição do desconforto durante o procedimento;
  • Recuperação pós-operatória substancialmente mais rápida.

Sucesso nos primeiros casos e perspetivas futuras

Os três doentes pioneiros tratados em Tomar recuperaram sem qualquer intercorrência técnica ou complicação clínica.

Para Nuno Franco, diretor do Serviço de Anestesiologia e coordenador da Unidade da Dor Crónica da ULS Médio Tejo, este teste representa um passo marcante na medicina de intervenção contra a dor. O responsável realça que o sistema permite manter uma elevada precisão terapêutica mitigando os riscos associados aos procedimentos percutâneos habituais, perspetivando que existam condições para que a tecnologia possa vir a integrar a prática diária da instituição já em 2027.

Com esta iniciativa, a ULS Médio Tejo reforça a sua aposta em cuidados de saúde diferenciados e focados em soluções menos dolorosas e mais seguras para a população.

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